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quarta-feira, 7 de março de 2018

Dias em que tenho excesso de peso.


Só eu sei, que há dias em que tenho excesso de peso. O peso das saudades de rostos e vozes que povoam a minha memória, numa névoa matinal. O peso do que deixei por dizer.
Ombros carregados de pequenas coisas do quotidiano, que me vergam a paciência, às vezes. E as mãos conhecedoras disto tudo, do que pesa no corpo nestes dias, fazem de fiel da balança enquanto ensaiam gestos delicados no cabelo. Os dedos bem mandados, enrolam madeixas como se ajeitassem sentimentos.
Um gesto simples, desassombrado que reverte e derrete lentamente o excesso de peso destes dias, quando me distraio e não enxergo um único banco no caminho.
Dias em que tudo se confunde. E há um cansaço alimentado a cafés.
É tudo líquido, o peso, os dias, a imagem do quadro original. Cresce uma ideia de movimento no enrolar do cabelo. Vai-se o negrume, o peso. Encontro o banco, o descanso. Encosto-me ao silêncio e continuo a enrolar pequenas madeixas de cabelo, como quem encontra a estratégia para dominar uma alcateia de lobos.

NB




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