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domingo, 25 de junho de 2017

Memórias de uma caixa de correio



Ainda escrevo cartas.
Professo uma espécie de militância interior que preserva o cunho pessoal, o que é singular, o que nos distingue, como a caligrafia. Não tenho uma caligrafia bonita, desenganem-se. Escrever pela própria mão acredito ser um estímulo maior, que vai do cérebro aos sentidos como um catalisador de ecos.
 Escrever uma carta, um postal é libertar parte do que se guarda por inteiro, é fazer prevalecer a vontade de dizer.
A distância consome-se de forma diferente através de uma carta. Pessoalmente, é-me prazeroso preencher no destinatário o nome próprio, seguido de apelido, a morada, um destino.
Ainda escrevo cartas e postais. Foi assim, que um dia recebi na volta do correio, o pedido sui generis, que deu nome ao blog.
Vamos ser claros, a recordação transporta-nos onde queremos voltar. Escrever é visitar os que amamos.
 É aprender a contar a vida sem dizer muito. Às vezes, a guardar o que ficou depois de já não estarmos todos.
Guardo verdadeiras relíquias. Folhas novas da minha árvore.
E há uma caixa de correio, vermelha, resistente, conformada, gentil, encalhada entre duas portas vazias, que  aguarda as cartas que fermentam na minha mão.
É tudo tão contrário. Só deixa de o ser por paixão.
Ainda escrevo cartas.

N.B.


** Esta caixa de correio mora na rua, onde cresci e minha conterrânea.





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