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quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Elogio da Normalidade


Ando à procura de um bom sinal. Algo pelo qual não nos fazemos responsáveis.
 Os dias têm acontecimentos sucessivos que nem sempre aguentamos, que se estabelecem e  tornam a estabelecer-se a si próprios. Tudo é movimento, conversas que saltam de boca em boca.
Dou-me conta de que não há uma direcção certa, única. Aprendemos a apreciar o superlativo, o melhor dos melhores. As patinadoras russas, o melhor jogador do mundo, o filme mais premiado com o Óscar, o restaurante com a última Estrela Michelin.
Vendem-nos superlativos. Faltam-nos com o Elogio da Normalidade.
Coisas de todos nós, do dia a dia,  bem feitas, cumpridas por inteiro, sem pesares nem culpas. Coisas que não se roubam ao tempo. Feitas do que faz sentido. Se alguém me perguntar o que é isso, responderei que é o contrário do que fazemos a correr, do que deixamos para o fim.
A inteligência, às vezes,  é um infortúnio. E correr atrás de um superlativo qualquer, pode levar-nos a descobrir o vazio e a inutilidade atrás de si.
A normalidade é uma habilidade difícil de manter. Exige um tempo, exige escolhas difíceis. A companhia que não escolhemos, tantas vezes. E não é um erro grosseiro. É a consequência dos superlativos e do seu carácter perfeito e enganador. Ruínas e castelos no mesmo espaço.
 Ando à procura de um bom sinal. Talvez seja este. O Elogio da Normalidade. Quero partilhá-lo contigo.

N.B.




* imagem pinterest.

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