Número total de visualizações de página

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Colmeias de gente


Nascem colmeias de gente em todas as cidades. Prédios altos, com muita gente dentro.
Os elevadores, por força das circunstâncias, são o ponto de encontro de condóminos, de vizinhos sem vizinhança. Ali, rezam-se os Bons Dias, as Boas Tardes, as Boas Noites. Às vezes, solta-se um Olá, um pequeno diálogo, próprio dos que vão travando conhecimento. Se há crianças, por norma, a viagem tem piscar de olhos e sorrisos. Se há cães desejosos de chegar à rua, então depende do cão, do dono, dos condóminos que entraram no elevador.
Nestes prédios habitados de gente, que a maior parte do tempo só pernoita, há sempre "os residentes". Uma espécie de porteiro, sem o ser.
 Aos residentes nada escapa. Hábeis a encontrar novas identidades, para cada um dos inquilinos . Não há que enganar, basta atender à conversa: "O careca, de bigode, do 2º C", " A magricela perfumadinha do 8º A", " O pai dos gémeos, do 4º D", " A mal encarada do 1º B", " A dona  do caniche dos laçinhos", "O que parece o Figo, o jogador de futebol"...
 Não há como enganar!
Aqui se encaixam, uns por cima dos outros, piso sobre piso, tantas almas, tantas histórias, mexericos, amores novos e velhos, sonhos por cumprir, segredos, famílias de vários tipos, nomenclaturas que uma sociedade moderna atribuiu, com as quais não pretendo maçar ninguém.
Para alguns, aqui se cumprem destinos, como o do Pedro e da Carminho. Casaram este Verão, ele do 3ºA, ela do 9ºC.
 Goste-se ou não de viver num prédio. Haja forma ou não de confirmar a fiabilidade desta história de colmeias, de gente. Tudo isto é normalidade.
A vida reparte-se por tantos lugares. Este é, apenas, mais um.

N.B.




                            * Imagem Pinterest

Sem comentários:

Enviar um comentário

Mania de escrever

Mania de escrever
Aqui pratica-se a mania de escrever