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terça-feira, 9 de julho de 2013

Sprints e Maratonas

Em todo o caso, foi assim que o blog se preencheu de textos. Foram os sprints, a loucura e o vício de sprintar.



Vou fazer um pequeno flash-back para vos situar nesta história.
 Em Maio reencontrei uma pessoa muito especial, daquelas a quem queremos bem, ainda que passem meses, anos sem nos vermos. Numa manhã actualizámos anos de ausência, bebemos vários cafés, somos ambas "agarradas" à cafeína e ela recomenda-me um livro. "Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo", de Haruki Murakami. Foi o livro que me sugeriu para que eu possa compreender a minha vontade de escrever.
O livro é fascinante, tanto mais que é um livro de memórias em que Murakami, que é maratonista e escritor procura estabelecer um paralelo entre o processo de escrita e a preparação de uma maratona.
Sinopse: É sempre a correr!
 Pelo meio muito entusiasmo, concentração, sobretudo persistência para ultrapassar os momentos de vazio. Diante do cansaço há que impor disciplina e voltar a focar para que venha de novo a inspiração, a velocidade, a capacidade de superação.
Murakami descreve maravilhosamente o que sente um maratonista quando se prepara para a maratona. Como reagem os músculos e o cérebro, ou como tantas vezes não querem reagir. Tal e qual, como o escritor que se senta diariamente a escrever.
Não me revejo na imagem do maratonista, mas identifico-me com o sprinter, aquele que dá tudo num curto espaço de tempo, que vai atrás do estímulo, do impulso, porque já o identifica.
Escrevo por impulso.  Ás vezes começa numa frase, algo que vi ou ouvi e depois pego no fio dos acontecimentos, desenrolo-o, abro caminho e lá vou eu sprintar, sem pôr ordem ao percurso, certa apenas de que é em frente. Depois, recupero o folgo, desacelero e tento corrigir o que tantas vezes atropelo no ímpeto de escrever.
 Não sinto particular curiosidade em fazer uma maratona. Sprintar faz parte das aulas de cycle que faço regularmente e por isso conheço o vazio que um sprint deixa no corpo, tão forte como o vazio que fica depois de sprintar um texto. Mas é viciante e volta-se sempre lá!
Um dia, quero aprender a agarrar as palavras. Quero ordenar as frases com precisão. Quero ensinar as ideias a ficar sossegadas, em fila, à espera de vez. E então vou correr, sem pensar em distâncias.Vou testar a minha resiliência e sprintar. Vou ser o treinador, o carro vassoura, o meu leitor mais crítico.
 Um dia, vou desafiar quem não sprinta, vou mostrar o que é repartir o tempo e a energia, o vazio e a plenitude, o físico e o mental, a dor e o prazer.
Mas hoje não.  Hoje, fica uma sugestão: Murakami.

N.B.


"Como se a vida coubesse num sprint", era este o título deste texto, mas fugiu para o final da página. Sprintou.

*** Este texto é dedicado à Ludovina Morais, uma amiga que conhece bons livros.

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